segunda-feira, 7 de janeiro de 2019


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Lições Bíblicas do 1° trimestre de 2019 - CPAD | Classe: Adultos | Data da Aula: 13 de Janeiro de 2019
TEXTO ÁUREO
"Bendizei ao SENHOR, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra." (Sl 103.20)

VERDADE PRÁTICA
Os anjos são seres reais, espirituais e celestiais a serviço de Deus e enviados para ajudar os que vão herdar a salvação.
LEITURA DIÁRIA
Seg. Ne 9.6: Os anjos pertencem a uma ordem da criação de Deus
Ter. Jó 38,6,7: Os anjos testemunharam a criação do universo físico
Qua. Lc 2.13, 14: Os anjos estão organizados em milícias espirituais que povoam o céu
Qui. Cl 1.16: Os anjos são identificados na Bíblia de diversas formas
Sex.1 Tm 3.16: Os anjos assistiram o Senhor Jesus desde o anúncio do seu nascimento até a sua ascensão
Sáb. Hb 1.14: Os anjos são espíritos que servem a Deus e ao seu povo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 1.26-35
26-     E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,
27-     a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
28-     E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
29-     E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta.
30-     Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus,
31-     E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
32-     Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,
33-     e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.
34-     E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?
35-     E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

HINOS SUGERIDOS; 21,489, 620 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Mostrar os anjos como seres espirituais reais, cujo serviço glorifica a Deus e auxilia seu povo.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
A época contemporânea está em volta em misticismos de diversas origens. O Ocidente tem sido influenciado por religiões orientais e, por isso, há inclinações sobejas para uma espiritualidade centrada em criaturas espirituais e não no Criador. Porém, a Bíblia mostra que os anjos não são mitos nem lendas, mas seres espirituais que atuam na vida dos que se entregam a Cristo e o tem como Senhor de suas vidas. Portanto, nesta lição, devemos falar a respeito da identidade dos anjos, a natureza e ofício, a organização e a relação de Jesus, o Filho de Deus, com eles. Nesta semana contemplaremos a beleza do mundo espiritual.
INTRODUÇÃO
Os anjos estão presentes na Bíblia desde o livro de Gênesis até o livro de Apocalipse, e o número deles é incontável. Eles apareceram a muitas pessoas na história do povo de Deus, trazendo uma missão específica. A presente lição pretende mostrar que eles não são mitos nem lendas, mas seres reais, e continuam atuando na vida da Igreja.

PONTO CENTRAL
Os anjos são seres celestiais a serviço de Deus para auxiliar os salvos em Cristo.

I - OS ANJOS
I- Expor a identidade dos anjos;

1. Quem são eles?
Os anjos são uma classe de seres criados por Deus, assim como os seres humanos foram também criados. A palavra "anjo" chegou à nossa língua pelo latim angelus, uma transliteração do termo grego angelos, que a Septuaginta empregou para traduzir o hebraico mal'ak, "mensageiro, anjo". Na nossa cultura, quando se fala em anjo, todos entendemos o que isso significa; vêm à nossa mente os seres espirituais e sobrenaturais que habitam o céu. Mas o termo tem significado mais amplo.



2. Os gregos e os romanos.
O mundo grego usava angelos para um mensageiro ou embaixador em assuntos humanos, alguém que fala ou age em nome de quem o enviou. Foi essa a palavra usada na Septuaginta para traduzir o hebraico mal'ak.
Entre os romanos, a ideia não era diferente dos gregos.

3. Na Bíblia.
O termo mal'ak, na cultura judaica, indicava um ser celeste e espiritual dotado de poderes sobrenaturais e acima de qualquer humano (Sl 103.20; 2 Pe 2.11). Eles pertencem à corte de Javé no céu, onde o louvam e o servem (Is 6.2,3; Ap 5.11; 7.11). Convém nunca perder de vista que essa palavra se aplica também a mensageiros humanos; o profeta Ageu foi chamado de mal'al Yahweh, "o embaixador do SENHOR" (ARC) ou "enviado do SENHOR" (ARA). João Batista é outro exemplo do uso do termo para os humanos (Ml 3.1; Mc 1.2-4).

SÍNTESE DO TÓPICO I
A palavra anjo significa mensageiros. Nas Escrituras, os anjos sempre desempenharam essa função.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Quem são os anjos? O que eles fazem? Essas perguntas podem ser elaboradas na lousa ou em um slide, ou ainda, em um retroprojetor, Iniciar a aula fazendo essas perguntas, levando os alunos à reflexão acerca da identidade das criaturas espirituais que eles conhecem desde a infância, É possível que haja na classe pessoas que ouviram sobre a existência de anjos em outras tradições religiosas, mas nunca tiveram a oportunidade de refletirem de maneira madura sobre o que a Bíblia diz a respeito deles, Esta é uma grande oportunidade de apresentar o que as Escrituras dizem a respeito desses seres espirituais.

Aproveite também para mostrar a herança da palavra portuguesa "anjo" pela palavra latina "angelus", Mostre como exemplo de quanto somos devedores ao idioma que ajudou a fundar o Ocidente; o Latim.

II - OS SERES CELESTIAIS PARA SERVIR
II- Explicar a natureza e o ofício dos anjos;

1. Natureza.
Os anjos são criaturas espirituais e invisíveis aos seres humanos. Eles são sobrenaturais e, como os humanos, possuem natureza racional. São em grandes multidões no céu (Hb 12.22; Ap 5.11). Como criaturas, não são autônomos nem independentes; não agem como tal e nunca receberam adoração. A habitação deles é o céu, e eles veem sempre a face do Pai (Mt 18.10). Não possuem corpo físico ou material, mas podem se apresentar na forma humana, quando ocorrem as manifestações angelofânicas. Essas aparições ocasionais são bíblicas (Jz 13.6; Hb 13.2). Os anjos são assexuados, não se reproduzem nem estão sujeitos à morte (Mc 12.25; Lc 20.36).

2. Ofício.
Não é possível descrever todas as atividades dos anjos em tão pouco espaço. A Bíblia mostra a atuação deles nas diversas esferas no céu e na terra. Uma de suas atividades, e a principal delas, é louvar e glorificar a Deus (Sl 148.2; Ap 7.11,12). Eles executam obras em favor de homens e mulheres para socorrer e ajudar nas suas dificuldades, e são eles que levam os salvos ao lar eterno (Lc 16.22).

3. A ação dos anjos durante o ministério de Jesus.
Sua participação já começa antes mesmo do nascimento de Jesus, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1.18,19), e seis meses depois, o nascimento de Jesus a Maria (vv. 26-31). Os anjos assistiram a Jesus durante todo o seu ministério terreno, na tentação do deserto, na agonia do Getsêmani, na sua ressurreição e na ascensão ao céu (Mc 1.13; Lc 22.43; Mt 28.2-6; At 1.10).

SÍNTESE DO TÓPICO II
Os anjos são criaturas espirituais invisíveis às pessoas. As principais funções deles são glorificar a Deus e fazer obras em favor dos seres humanos.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO
"Esses seres angelicais executam as obras de Deus tanto no julgamento dos inimigos do povo de Deus como também dos crentes quando estes desobedecem a Deus. Eles revelam e comunicam a mensagem de Deus aos seres humanos. Há inúmeros fatos dessa natureza nas Escrituras, como o anúncio a Zacarias sobre o nascimento de João Batista e a Maria, sobre o nascimento do Senhor Jesus. Esses mensageiros celestiais assistiram os apóstolos Pedro e Paulo e o próprio Senhor Jesus. Foram eles que anunciaram às mulheres a ressurreição de Jesus e estiveram presentes na sua ascensão. [...] A Bíblia mostra diversas vezes os anjos socorrendo os servos e servas de Deus em suas lutas e dificuldades" (Declaração de Fé das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.87).

III - AS HOSTES ANGELICAIS
III- Elencar a ordem hierárquica dos anjos.

A Bíblia menciona as categorias angelicais sem apresentar detalhes de sua natureza; somente se manifesta em alguns casos, como veremos a seguir.

1. Ás hierarquias angelicais.
O apóstolo Paulo inclui nessas hierarquias duas duplas de seres: "tronos e dominações" e "principados e potestades" (Cl 1.16). Alguns acham que
a primeira dupla seja uma referência às "coisas visíveis"; e as outras duas, às "coisas invisíveis". Uma tentativa sem sucesso. Os tronos estão localizados no céu (Dn 7-9; Ap 4.4), mas a literatura pseudoepígrafa dos antigos rabinos tem os tronos como seres celestes. A maioria dos expositores do Novo Testamento reconhece o termo "tronos" nesse contexto como classificação angelical. As dominações se referem aos poderes celestes (Ef 1.20,21). A explicação sobre os principados e potestades foi dada na lição passada.

2. Serafins e querubins.
São outras duas categorias de anjos sobre as quais a Bíblia revela algo mais do que as categorias anteriores. O termo serafim significa "flamejante, brilhante, refulgente". Os serafins são criaturas sobrenaturais associadas à glória de Javé e representam a presença, a grandeza e a majestade divinas (Is 6.2). Os querubins simbolizam a transcendência de Deus, o qual "habita entre os querubins" (1 Sm 4.4). Eles são representados como criaturas aladas colocadas no propiciatório da Arca do Concerto (Êx 25.18-20:37.7-9).

3. Arcanjos.
Esse termo significa chefe ou líder dos anjos. Essa palavra só aparece duas vezes na Bíblia, em: "com voz de arcanjo" (1 Ts 4.16) e "mas o arcanjo Miguel, quando contendia..." (Jd 9). Os tratados de teologia costumam incluir Gabriel como arcanjo. Miguel e Gabriel são os únicos anjos mencionados por nome na Bíblia. O nome "Miguel", mikhael em hebraico, significa "quem é semelhante a Deus?"; e "Gabriel", gvriel, "varão de Deus". As Escrituras Sagradas revelam existir mais seres no céu, da mesma natureza e com a mesma posição de arcanjo: "e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia" (Dn 10.13). Veja que a expressão "um dos primeiros príncipes" mostra existirem outros como Miguel.

SÍNTESE DO TÓPICO III
Há uma organização clara dos anjos no céu, mas sobre a natureza dessa hierarquia a Bíblia nos revela muito pouco.

IV - JESUS E O ARCANJO MIGUEL
IV- Destacar a relação de Jesus com os anjos a partir do Arcanjo Miguel.

O ministério dos anjos em relação a Jesus vem desde o anúncio do seu nascimento até a sua ascensão ao céu. Miguel é anjo e se inclui também nesse ministério.

1. A identidade de Miguel.
As Escrituras falam muito pouco a respeito desse anjo. 0 seu nome aparece cinco vezes na Bíblia, como "príncipes" (Dn 10.13,21; 12.1), arcanjo (Jd 9) e combatente contra Satanás e seus anjos (Ap 12.7). Alguns grupos religiosos ensinam que Miguel é o próprio Jesus Cristo. Esse pensamento não nos surpreende, pois um desses grupos é arianista. O que nos chama a atenção é o fato de outros grupos cristãos, que afirmam crer na Trindade, confundam o Criador com a criatura.

2. Uma diferença abissal.
Não é verdade que o Senhor Jesus Cristo seja o mesmo Miguel, pois há uma diferença abissal entre ambos: Jesus é Deus, o Criador e transcendente, Miguel é anjo, portanto, criatura (Jo 1.1-3; Cl 1.16,17; Jd 9). Jesus é adorado até pelos anjos, e isso inclui o próprio Miguel; no entanto, Miguel, sendo anjo, não pode ser adorado (Hb 1.6; Ap 19.10; 22.8,9).  Jesus é o Senhor dos senhores, e Miguel é príncipe (Ap 17.14; Dn 10.13,21). Não se deve, portanto, confundir o Criador com a criatura.

SÍNTESE DO TÓPICO IV
Há uma diferença abissal entre Jesus Cristo e o Arcanjo Miguel: este é príncipe, aquele é o Senhor dos senhores.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO
"A Bíblia afirma com frequência que Jesus é Deus: 'No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus'(Jo 1.1); 'Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade’(Cl 2.9). [...] As suas obras revelam também a sua divindade. Ele é o absoluto soberano e criador de todas as coisas, Ele é a fonte de vida, autor do novo nascimento, habita nos fiéis, dá a vida eterna, inspirou também os profetas e apóstolos, perdoa pecados, é adorado pelos humanos, pelos anjos, na terra e no céu. Possui títulos divinos, como "Eu Sou", o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, e o Senhor dos Senhores" (Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.51).

CONCLUSÃO
A Bíblia traz muitas informações acerca dos anjos e, apesar das inúmeras referências bíblicas, ainda muito pouco sabemos a respeito de quem eles são e do que fazem. A diferença entre os anjos e os humanos está, entre outras, no fato de que a nós o Criador deu a capacidade reprodutiva e, para tal, quando criou o ser humano, criou um casal que geraria outros da mesma espécie. Os anjos não se reproduzem.

domingo, 6 de janeiro de 2019


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Lições Bíblicas do 1° trimestre de 2019 - CPAD | Classe: Adultos | Data da Aula: 6 de Janeiro de 2019 

Texto Áureo
"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26.41)
Verdade Prática
Batalha Espiritual é uma realidade bíblica que consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas.
LEITURA DIÁRIA
Seg. Lc 10.17-19: Jesus deu poder à sua Igreja para subjugar os demônios
Ter. At 13.9-11: A pregação do Evangelho é a declaração de guerra contra o reino das trevas
Qua. At 16.16-18: Devemos nos precaver contra as manifestações malignas
Qui. 2 Co 10.4: As armas da nossa milícia são espirituais e poderosas em Deus
Sex. Ef 6.13: Podemos, com ajuda do Senhor, resistir ao mal e continuar firme
Sáb. Tg 4.7: Duas coisas importantes: submissão a Deus e resistência ao Diabo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 Pedro 5.5-9
5- Semelhantemente vós, jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.
6- Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que, a seu tempo, vos exalte,
7- lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
8- Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;
9- ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.

HINOS SUGERIDOS: 28, 270, 305 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Expor a realidade bíblica da Batalha Espiritual, identificando as crenças errôneas de uma pseudobatalha espiritual.

• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Vamos iniciar mais um trimestre. Estudaremos a respeito da "Batalha Espiritual". Por meio das Escrituras, veremos que o assunto não pode ser ignorado, pois há uma Batalha Espiritual real, mas também devemos ser cuidadosos quanto à superstição religiosa muito viva em nosso país. Precisamos de uma visão bíblica e equilibrada!

Ao introduzir a lição, apresente o comentarista deste trimestre. Trata-se do pastor Esequias Soares, líder da igreja evangélica Assembleia de Deus em Jundiaí. Presidente da Comissão de Apologética da CGADB. É graduado em Hebraico pela Universidade de São Paulo. Mestre em Ciências da Religião. É também autor de diversos livros, dentre eles: Manual de Apologética Cristã, Heresias e Modismos e A Razão da Nossa Fé, todos publicados pela CPAD. 
INTRODUÇÃO

A Batalha Espiritual é o tema do trimestre que estamos iniciando. Basta uma olhada na leitura diária para confirmar a menção do assunto nas Escrituras. Mas existe uma onda extravagante que surgiu na década de 1960 e que tenta se passar por batalha espiritual.

A presente lição apresenta o equilíbrio doutrinário que servirá como ajuda para ninguém subestimar o assunto.

PONTO CENTRAL
A Batalha Espiritual consiste na luta contínua da Igreja contra o reino das trevas.

I - A BATALHA ESPIRITUAL
I- Apresentar o conceito de Batalha Espiritual, ressaltando sua realidade bíblica e distorções;

A autêntica batalha espiritual tem fundamentos bíblicos, mas nem tudo o que se diz ser batalha espiritual tem sustentação nas Escrituras.

1. Conceito de Batalha Espiritual.
A Bíblia afirma "que todo o mundo está no maligno" (1 Jo 5.19). Assim, existem seres malignos e espirituais que desde o princípio conspiram contra Deus e contra a humanidade para a destruição e o caos no mundo. Primordialmente, os demônios existem; eles são reais e manifestam-se de várias maneiras, em princípio, nas pessoas possessas, e tais espíritos precisam ser expulsos. Por conseguinte, os cristãos se opõem a essas forças malignas pela pregação do evangelho, a oração e o poder da Palavra de Deus. A essa oposição dos crentes denominamos "batalha espiritual".

2. Uma realidade bíblica.
O tema principal da Primeira Epístola do apóstolo Pedro é o sofrimento do crente por causa do nome de Jesus. Esse sofrimento resulta da nossa contínua luta espiritual contra o pecado e contra o indiferentismo religioso. Mas, ao encerrar a sua epístola, o apóstolo esclarece que tudo isso parte de Satanás e seus agentes: "Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (v.8).

3. O que não é Batalha Espiritual.
O que geralmente se chama de "batalha espiritual" por alguns é um modelo não bíblico e nocivo à fé cristã. Os mentores dessa doutrina pinçam a Bíblia aqui e ali e adaptam as passagens selecionadas para ajustá-las às suas próprias experiências. Trata-se de uma cosmovisão abrangente de culturas antigas como a da Mesopotâmia e do Egito, influenciada pela magia e pelo ocultismo.* Era na época um mundo cheio de forças ocultas em que os homens viviam procurando se proteger de deuses e demônios malévolos. É uma estrutura muito próxima do ocultismo contemporâneo com a doutrina dos espíritos territoriais, maldição hereditária ou de família com os rituais de libertação.

SÍNTESE DO TÓPICO I
Há fundamento bíblico para a verdadeira Batalha Espiritual, mas é preciso ter cautela com as superstições religiosas.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Após introduzir a lição e "apresentar" o pastor Esequias Soares, mostre aos alunos os objetivos da presente lição. Diga a eles que, como introdução ao estudo deste trimestre, o objetivo da presente aula é conceituar a expressão "Batalha Espiritual", pontuar as falsas crenças da "pseudobatalha espiritual'' e desconstruí-las por meio das Escrituras Sagradas. A lição desta semana está estruturada nesse tripé.


II - PRINCIPAIS CRENÇAS DA PSEUDOBATALHA ESPIRITUAL
II- Pontuar as principais "crenças" da pseudobatalha espiritual;

As inovações mais chocantes que se pregam por aí são o mapeamento espiritual, a maldição hereditária e a ideia de que um salvo pode ser possuído pelos demônios.

1. Mapeamento espiritual.
A doutrina consiste na crença de que Satanás designou seus correligionários para cada país, região ou cidade. O evangelho só pode prosperar nesses lugares quando alguém, cheio do Espírito Santo, expulsar esse espírito maligno. Em decorrência, surgiu a necessidade de uma geografia espiritual, o mapeamento espiritual. Os espíritos territoriais são identificados por nomes que eles mesmos teriam revelado, com as respectivas regiões que eles supostamente comandam. Essas pessoas acreditam que tudo isso se baseia na Bíblia (Dn 10.13,20; Mc 5.10).

2. A maldição hereditária.
A doutrina resume-se nisso: se uma pessoa tem problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendências suicidas é porque, no passado, alguém de sua família, não importa se avós, bisavós ou tataravós, teve esse problema. Desse modo, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao Diabo. Uma vez descoberta a tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa forma, a maldição de família será desfeita. É uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos praticado pelos mórmons. Os que defendem essa doutrina pinçam as Escrituras em busca de sustentação bíblica (Êx 20.5; Dt 5.9; Is 8.19).

3. "Crentes endemoninhados".
Esses pregadores ensinam que "o homem é um espírito que tem alma e habita num corpo" (Kenneth Hagin). Partindo desse falso conceito teológico, afirmam que o Espírito Santo habita no espírito humano no processo de salvação; e que os espíritos imundos "estão relegados à alma e ao corpo do cristão". Os promotores dessa doutrina costumam apelar para o estado psicológico de Saul depois que ele se afastou de Deus (1 Sm 16.14; 18.10; 19.9), o caso de Judas Iscariotes (Lc 22.3), além de Ananias e Safira (At 5.3).



SÍNTESE DO TÓPICO II
As principais “crenças" da pseudo-batalha espiritual são o Mapeamento Espiritual, a Maldição Hereditária e Possessão Demoníaca de Cristãos.

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO
"[Sobre o Mapeamento Espiritual] "É verdade, 'o príncipe do reino da Pérsia' impediu, por três semanas, que o anjo (presumivelmente, Gabriel) viesse até Daniel (Dn 10.12,13). No entanto, Daniel estava aspirando à visão profética, e jamais pensou em 'amarrar' o 'espírito territorial' da Pérsia. Nem o anjo o instruiu para empreender tal 'batalha'. Na verdade, em lugar algum da Bíblia sugere-se a ideia de que certos demônios tenham autoridade específica sobre certas cidades ou territórios e que devam ser 'amarrados'. [...] Paulo nunca tentou 'amarrar espíritos territoriais' para ensinar o evangelho ao mundo de sua época, portanto, por que deveríamos fazê-lo?” (HUNT, Dave. Em Defesa da Fé Cristã: Respostas a perguntas difíceis. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.223-24)

III - VAMOS À BÍBLIA
III- Desconstruir por meio da análise bíblica as "crenças" da pseudobatalha espiritual.

Ninguém tem o direito de fazer o que quiser com a Bíblia. Vejamos, portanto, o que Bíblia ensina nas passagens reivindicadas pelos líderes defensores dessa inovação:

1. Sobre o mapeamento espiritual.
As duas passagens de Daniel falam sobre o "príncipe do reino da Pérsia" (Dn 10.13) e o "príncipe da Grécia" (v.20). São citações fora de contexto, pois se trata de guerra angelical, e não há indícios da presença humana. O gadareno "rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província" (Mc 5.10) porque Jesus havia mandado os tais espíritos para o abismo: “E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo" (Lc 8.31). Essa é a razão de pedirem para ficar na região; não se refere, portanto, a espíritos territoriais. Assim, fica claro que se trata de uma doutrina baseada numa interpretação equivocada.

CONHEÇA MAIS
Sobre o Ocultismo
“Ocultismo é a crença nas forças ocultas e práticas adivinhatórias da magia, astrologia, alquimia, clarividência, tarô, búzios, quiromancia, necromancia, numerologia, reencarnação, ufologia, ioga, meditação transcendental, hipnose e outras ciências ocultas. Todas essas coisas são a marca registrada da Nova Era. A palavra vem do latim occultus, que significa ‘secreto, misterioso’. Foi Eliphas Lévi, na França, em 1856, que usou pela primeira vez a palavra ‘ocultismo’ e seus derivados com o sentido de esoterismo.” Leia mais em Manual de Apolo-gética Cristã, CPAD, pp.364-65.

2. Sobre a maldição hereditária.
No segundo mandamento do Decálogo, Deus afirma visitar "a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem" (Êx 20.5; Dt 5.9). Essas palavras não podem se aplicar à doutrina da maldição hereditária porque, quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecer a Deus; logo, essa passagem bíblica não pode se aplicar aos crentes (Rm 5.8-10), pois estes se tornam nova criatura, "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). 0 que eles fazem com a expressão "espíritos familiares" é uma fraude. O termo usado na Bíblia hebraica é ov, ou ovoth, plural, "médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico" (Lv 19.31; 20.6). Isso está muito longe de serem espíritos que passam de pai para filhos.

3.Sobre a possibilidade de o cristão ser possesso.
É bom lembrar que Saul já estava desviado nessa época (1 Sm 15.23); além disso, a Bíblia não fala de demônio, mas que "o assombrava um espírito mau da parte do SENHOR" (1 Sm 16.14). Quem foi que disse que Judas Iscariotes era crente? Foi Jesus quem disse: "Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo. E isso dizia ele de Judas Iscariotes" (Jo 6.70,71). E, quanto a Ananias e Safira, a Bíblia declara que eles mentiram ao Espírito Santo, e não que ficaram possessos. 0 crente em Jesus tem a promessa de Deus de que "o maligno não lhe toca" (1 Jo 5.18).


4. O homem segundo a Bíblia.
Jesus disse que "um espírito não tem carne nem ossos" (Lc 24.39). Se o espírito não tem carne nem ossos, logo se conclui que não é verdade que o homem seja um espírito. A Bíblia declara que Deus formou "o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente" (Gn 2.7). Isso mostra que o ser humano é uma combinação do pó da terra com o sopro de Deus. 0 Senhor Jesus se fez homem, pois "o verbo se fez carne" (Jo 1.14).

SÍNTESE DO TÓPICO III
Não há base bíblica para sustentar o Mapeamento Espiritual, a Maldição Hereditária e a Possessão Demoníaca do Cristão.

SUBSÍDIO BÍBLICO
"Entre estes dois momentos na narrativa está a estranha conversa entre Jesus e o endemoninhado, nos versículos 6 a 12. [...] No versículo 10 ('E rogava-lha muito que os não enviasse para fora daquela província'), então, de novo no versículo 12 (' E todos aqueles demônios lhe rogaram dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles'). A imagem está densamente acondicionada, com referências repetidas à submissão e humilhação.

Entrosado com a imagem de mesura está o fato de quem o demônio tenta ameaçar e dominar Jesus, deixando escapar o nome e o título do Senhor (v.7) e afirmando ser chamado por 'Legião', [...] porque somos muitos' (v.9). Talvez mais distintivo seja o uso que o demônio faz da linguagem de libertação ao se dirigir a Jesus: 'Conjuro-te por Deus que não me atormente' (v.7). Esta expressão é frase técnica usada por exorcistas no desempenho do exorcismo (e.g., At 19.13). Que estranho que tal linguagem fosse usada por um demônio'. E que esquisito que Jesus concedesse o pedido do demônio, no versículo 13. Estas imagens são fundidas num tipo de quebra-cabeça narrativo: Há algo mais do que os olhos percebem, mas o quê?

Esse 'algo mais' é a batalha pela alma humana. Na luta entre o povo da cidade, o homem e o demônio, está claro quem até agora tem vencido. O poder selvagem do endemoninhado é compendiado nas correntes quebradas e neste animal humano que se esquiva da sociedade, dilacera a própria carne e à noite uiva de agonia num cemitério.

O ponto é que Jesus não vê um animal humano, mas um ser humano, que foi saqueado por este espírito maligno e violento" (STRONSTAD, Roger; ARRTNGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.214-15).

CONCLUSÃO
Há necessidade de equilíbrio para que os exageros dessas aberrações doutrinárias não levem o crente ao ceticismo, porque a batalha espiritual existe e ninguém deve subestimá-la. Os fatos estão registrados na Bíblia, e nenhum cristão ousa negar essa realidade. Por outro lado, os crentes devem ter maturidade suficiente para não entrar no fanatismo, mas discernir entre o que é verdadeiramente espiritual e o que é manipulação esotérica.