sábado, 16 de março de 2019

Lição 10 – Poder do alto contra as Hostes da Maldade


Lições Bíblicas do 1° trimestre de 2019 - CPAD | Classe: Adultos | Data da Aula: 10 de Março de 2019
TEXTO ÁUREO
"Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder." (Lc 24.49)

VERDADE PRÁTICA
 As obras das trevas são demolidas pelo poder de Deus no trabalho de pregação do Evangelho de Cristo.      
LEITURA DIÁRIA
SEG. Mt 10.1: O poder do alto liberta os oprimidos e cura os enfermos      
TER. Mc 5.6-10: O Senhor Jesus faz os demônios estremecerem
QUA. Lc 4.36: As hostes da maldade só podem ser vencidas por Jesus
QUIAt 13.9-11: É necessário ser cheio do Espírito Santo para vencer a força do Inimigo
SEX. At 19.13-16: Os exorcistas de Éfeso confundiam o nome de Jesus com fórmulas mágicas
SÁB. At 19.18-20: O poder de Deus destrói as obras das trevas

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 8.5-13,18-21
5- E, descendo Filipe à cidade de Somaria, lhes pregava a Cristo.
6- E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia,
7- pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados.
8- E havia grande alegria naquela cidade.
9- E estava ali um certo homem chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era uma grande personagem;
10- ao qual todos atendiam, desde o mais pequeno até ao maior, dizendo: Esta é a grande virtude de Deus.
11- E atendiam-no a ele, porque já desde muito tempo os havia iludido com artes mágicas.
12- Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres.
13- E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito.
18- E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro,

19- dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.
20- Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro.
21- Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus.

HINOS SUGERIDOS: 5, 24, 432 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Deixar claro que precisamos do poder do alto para vencer as hostes da maldade.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
I- Explicar o contexto histórico de Samaria;
II- Expor sobre o Evangelho entre os samaritanos;
III Mostrar Filipe em Samaria e Simão, o Mágico.

                           • INTERAGINDO COM O PROFESSOR                   
A lição desta semana está centrada no relato do trabalho missionário de Filipe. Esse trabalho se deu num contexto de animosidade que havia entre judeus e samaritanos. Era uma animosidade histórica e social. Por causa disso, nosso Senhor havia orientado para os discípulos não entrarem na cidade dos samaritanos. Entretanto, a pregação do Evangelho de Cristo, bem como o avivamento do Espirito, quebrou essa animosidade histórica. O poder do alto trouxe alegria e libertação para uma cidade e desfez a obra das trevas naquele lugar. Esse poder em Samaria lembra-nos o que Deus fez no início do século passado na Rua Azusa, EUA, quando negros e brancos louvavam ao Senhor no mesmo local e, debaixo do mesmo poder, as obras das trevas foram destruídas.

PONTO CENTRAL
As obras das trevas são destruídas pelo poder da pregação do Evangelho de Cristo.

INTRODUÇÃO
O relato do trabalho evangelístico de Filipe em Samaria nos chama a atenção Primeiro, por causa da animosidade que havia entre judeus e samaritanos; depois, porque Jesus havia dito antes: não "entreis em cidade de samaritanos" (Mt 10.5). Mas a região foi palco de um grande avivamento com a chegada do Evangelho. Isso aconteceu no poder do Espírito Santo, que trouxe muita alegria, gozo e libertação na cidade, mas o Evangelho também veio para desfazer as obras das trevas.

I - CONTEXTO HISTÓRICO DE SAMARIA

Os samaritanos eram os israelitas que se mesclaram como povos estrangeiros durante o período da dispersão das Dez Tribos do Norte em 722 a.C. Com o passar do tempo, essa mescla veio a ser também religiosa. Na era apostólica, o clima entre judeus e samaritanos era tenso. O evangelho de João resume o relacionamento entre judeus e samaritanos nas seguintes palavras: "Judeus não se comunicam com os samaritanos" (Jo 4.9).

1. A fundação de Samaria.
A cidade foi fundada pelo pai do rei Acabe, o qual reinava sobre dez tribos do norte, que se apartaram de Jerusalém no século 10 a.C. (1 Rs 12.19,20). O nome do rei era Onri, que comprou um monte de um cidadão chamado Semer, onde fundou uma cidade à qual deu o nome de Samaria, em homenagem ao dono anterior, e fez dela a capital do seu reino (1 Rs 16.24). Mesmo antes da dispersão dos israelitas do reino do Norte, já havia um clima de tensão entre Samaria e Jerusalém, Israel e Judá, os dois reinos que se dividiram após a morte de Salomão.

2. O cativeiro.
Quando o rei da Assíria, Salmaneser, sitiou Samaria em 722 a.C., levou para o cativeiro as dez tribos do norte (2 Rs 17.3). Mas foi Sargom II, sucessor de Salmaneser V, que concluiu o cativeiro dos israelitas das Dez Tribos do Norte. Os assírios levaram as Dez Tribos do Norte para outras regiões e trouxeram estrangeiros para povoarem a terra de Israel. Os poucos filhos de Israel que ficaram na terra se misturaram com os estrangeiros deportados de suas terras (2 Rs 17.24-31). Desse modo, seus filhos não eram totalmente judeus nem completamente gentios; eram os samaritanos.

3. As diferenças entre judeus e samaritanos.
Os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos na reconstrução do templo de Jerusalém quando Judá retornou do cativeiro babilônico (Ed 4.1-4). Os samaritanos rejeitaram as Escrituras do Antigo Testamento, adotaram apenas o Pentateuco e também construíram um templo rival no monte Gerizim. Com esses fatos, a ruptura samaritana se consolidou, mas eles esperavam também a vinda do Messias (Jo 4.25). Na era apostólica, Samaria era o nome da cidade e ao mesmo tempo da província romana.

SÍNTESE DO TÓPICO I
A cidade de Samaria foi fundada pelo pai do rei Acabe, Onri. Samaria era a capital do Reino do Norte.
                           
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓCICO
A aula desta semana é uma excelente oportunidade para você estudar a cidade de Samaria, bem como o início da divisão do Reino de Israel. Esse estudo o levará a compreender o contexto que se encontra o evangelista Filipe em Atos dos apóstolos. Por isso, estudar Samaria e a divisão do Reino de Israel é muito importante para essa lição. Sugiro para o seu estudo o Dicionário Bíblico Wycliffe e Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, ambas as obras foram editadas pela CPAD.
 
II - O EVANGELHO ENTRE OS SAMARITANOS
O relacionamento cristão com os samaritanos começou de forma salutar com o Senhor Jesus e depois continuou com Filipe. Este aqui é o mesmo que foi escolhido como um dos sete diáconos (At 6.5), mas logo se destacou na pregação do Evangelho e aparece cerca de vinte anos depois como evangelista (At 21.8).

1. Jesus e os samaritanos.
Os samaritanos, numa ocasião, recusaram-se a receber Jesus quando Ele estava a caminho de Jerusalém (Lc 9.52,53). Mas, na aldeia de Sicar, em Samaria (Jo 4.5), os samaritanos receberam Jesus e creram na sua mensagem como resultado do testemunho da mulher samaritana (Jo 4.39-42). A passagem do Bom Samaritano (Lc 10.25-28) foi uma lição para os judeus: eles não deviam imitar o levita nem o sacerdote, mas o samaritano. Jesus proibiu os discípulos de entrarem em cidades de samaritanos, porque Ele fora enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.5,6), uma vez que ainda não era tempo. Mas, depois de sua ressurreição dentre os mortos, Jesus mandou pregar também em Samaria (At 1.8). Filipe agora estava cumprindo com êxito essa missão.

2. O poder de Deus entre os samaritanos.
Filipe foi impulsionado pelo Espírito Santo; do contrário, não ousaria enfrentar as hostilidades dos samaritanos. Filipe "lhes pregava a Cristo" (v.5) com poder, de modo que as multidões prestavam atenção no que ele dizia, pois "ouviam e viam os sinais que ele fazia" (v.6). Era algo inédito e que atraía as multidões: "pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados" (v.7). Essa manifestação era o autêntico poder do alto contra as hostes por meio da pregação do evangelho. Filipe revolucionou a cidade pelo poder de Deus.

3. O batismo no Espírito Santo.
Havia muita alegria na cidade com a chegada de Filipe, que batizava homens e mulheres (v.12). A notícia desses fatos chegou à Igreja de Jerusalém, que enviou os apóstolos Pedro e João, os quais trouxeram o que ainda faltava aos samaritanos convertidos: o batismo no Espírito Santo. Ao chegarem à Samaria, eles impuseram as mãos sobre os novos
crentes, que "receberam o Espírito Santo" (v.13).

SÍNTESE DO TÓPICO II
Jesus levou a primeira mensagem aos samaritanos e, por instrumentalidade de Filipe, o Evangelho impactou aos samaritanos com o poder do Espírito.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
De fato, deveriam ter sempre em mente que o batismo no Espírito não é uma experiência climática. Assim como o próprio Pentecostes foi apenas o começo da colheita, tendo trazido homens e mulheres a uma comunhão de adoração, ensino e serviço, assim também o batismo no Espírito Santo é apenas uma porta para uma relação crescente entre Ele mesmo e os crentes. Essa relação leva a uma vida de serviço, onde os dons do Espírito proveem poder e sabedoria para a divulgação do Evangelho e o crescimento da Igreja, como evidenciado pela sua rápida propagação em muitas áreas do mundo atual. Novos preenchimentos e orientações relativas ao serviço devem ser esperadas conforme surgirem novas necessidades, e conforme Deus, em sua vontade soberana, cumprir o seu plano" (MENZIES, William W; HOR-TON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.106).
 
III - FILIPE EM SAMARIA E SIMÃO, O MÁGICO
Antes da chegada de Filipe à Samaria, ali estava Simão, o mágico, um entre os vários impostores que afirmavam possuir os segredos da natureza e comunicar-se com o mundo invisível, dedicando-se ao ocultismo e ao curandeirismo. Tudo isso se chama artes mágicas, superstições populares e práticas enganosas sob a égide do príncipe das trevas.

1. Simão, o mágico.
Nesse contexto de tanta alegria e gozo entre o povo mediante a obra realizada por Filipe, surge a figura de um cidadão: "Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica e tinha iludido a gente de Samaria, dizendo que era uma grande personagem" (v.9). Ele já estava na cidade antes da chegada de Filipe e era reconhecido pela população como "a grande virtude de Deus" (v.10). Isso significa que Simão se declarava um tipo de emanação ou representação do ser divino. No entanto, não passava de um embusteiro que, durante muito tempo, iludia o povo com artes mágicas (vv.9,11).

2. A conversão de Simão, o mágico.
O texto sagrado afirma: “E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou, de contínuo, com Filipe e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito" (v. 13). É difícil saber até que ponto a conversão de Simão, o mágico, era genuína, pois o relato indica tratar-se de uma conversão meramente intelectual ou artificial. A avaliação do apóstolo Pedro foi: “o teu coração não é reto diante de Deus" (v.21). Assim, impressionado com os milagres que Filipe operava, Simão teria se convencido de ser Jesus o Messias, mas não houve transformação em sua vida.

3. A repreensão do apóstolo Pedro.
Simão, o mágico, foi desmascarado na tentativa de subornar o apóstolo Pedro, pensando ser possível comprar o poder do Espírito Santo. Essa atitude não condiz com a postura de um novo convertido que ainda não compreende a natureza da fé cristã (1 Tm 3.6). Parece que Simão imaginou ter descoberto uma nova fórmula mágica, como os exorcistas de Éfeso (At 19.13) e, dessa forma, achou que podia comprar essa "fórmula" para ampliar o seu curriculum e acrescentar ao seu cardápio um novo serviço para o povo. Ele não agiu com sinceridade, por isso o apóstolo Pedro o amaldiçoou (vv. 20-23). Foi do nome de Simão que veio o termo "simonia", que consiste no ato deliberado de comprar ou vender as coisas espirituais. Os discípulos de Simão ainda estão por aí negociando e vendendo as coisas espirituais.

SÍNTESE DO TÓPICO III
O impostor Simão, o Mágico, foi repreendido pelo apóstolo Pedro.

SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ
"O Senhor considerará você tão responsável por acreditar numa mentira quando considerou Adão. As falsas doutrinas matam a alma. Se sairmos da Palavra de Deus para crermos numa mentira, perdemos o sangue e a vida de nossa alma. Não deixe que ninguém o engane, ainda que venha como anjo de luz [...]. A Palavra de Deus nos diz: ‘Tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras (2 Co 11,13-15)" (SEYMOUR. Devocional: 0 Avivamento da Rua Azusa. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.40-41).

CONCLUSÃO
A história de Simão, o mágico, nos mostra que seu comportamento foi reprovado por Deus. Há uma diferença abissal entre o poder que vem do alto, o poder sobrenatural do Espírito Santo, e os pseudomilagres operados por charlatões e embusteiros, agentes a serviço do reino das trevas. Isso nos serve de lição para estarmos alertas quanto aos líderes enganosos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019


Lições Bíblicas do 1° trimestre de 2019 - CPAD | Classe: Adultos | Data da Aula: 17 de Fevereiro de 2019
TEXTO ÁUREO
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. (1 Jo 2.16)
VERDADE PRÁTICA
A tentação no sentido religioso é a atração ou sedução para praticar o mal tendo por recompensa prazeres ou lucros ilícitos.
LEITURA DIÁRIA
SEG. Gn 22.1: A tentação, às vezes, significa teste, provação
TER. Lc 22.28: A tentação de Jesus foi contínua e não se restringiu à tentação no deserto
QUA. 1 Co 7.5: Satanás procura o ponto fraco do crente para tentá-lo nessa área
QUI1 Ts 3.5: Satanás é a principal fonte externa da tentação
SEX. Hb 4.15: Não é pecado ser tentado, mas, sim, ceder ao pecado
SÁB. Tg 1.14: A tentação tem também a sua fonte interna

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 4.1-11
1- Então, foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2- E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;
3- E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.
4- Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.
5- Então o diabo o transportou à Cidade Santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,
6- e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.
7- Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus.
8- Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-Ihe todos os reinos do mundo e a glória deles.
9- E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

10- Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás.
11- Então, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram.

HINOS SUGERIDOS: 75, 76, 77 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL
Mostrar que Jesus venceu a tentação.

• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Nesta oportunidade trataremos sobre as escolhas e atitudes na jornada da vida espiritual. Neste contexto, aparece o tema da tentação. Em todo tempo somos instados pelo Maligno a negar nossa vida de santidade e ceder para as obras da carne afim de que manchemos as vestes espirituais. Não podemos nos dobrar às falsas promessas do Maligno. Precisamos perseverar na fé em Cristo, buscar a sua preciosa vontade para a nossa vida e honrá-lo até o fim na caminhada cristã. Uma boa aula!
PONTO CENTRAL
Ainda que sejamos tentados, em Jesus, somos vitoriosos.

INTRODUÇÃO
Há certo paralelismo entre os quarenta anos da peregrinação de Israel no deserto e os quarenta dias e as quarenta noites em que o Senhor Jesus jejuou no lugar ermo. A diferença é que Israel não passou no teste, e Jesus foi o vitorioso sobre Satanás. Esses dois cenários têm a ver com nossas escolhas e atitudes na jornada de nossa vida espiritual.

I - A TENTAÇÃO
Os termos "tentação" e "tentar" na Bíblia aplicam-se tanto no campo secular como no campo religioso. Vamos analisar o assunto partindo dos significados e sentidos dessas palavras, levando em consideração o contexto das várias passagens bíblicas.

I- Conceituar a tentação;

1. A provocação de Refidim.
O substantivo "tentação" significa literalmente "teste, provação, instigação". Na contenda paradigmática de Refidim, no deserto, temos o significado dessa palavra: "E chamou o nome daquele lugar Massá e Meribá, por causa da contenda dos filhos de Israel, e porque tentaram ao SENHOR, dizendo: Está o SENHOR no meio de nós, ou não?" (Êx 17.7). O vocábulo hebraico massá significa "tentação", e meribá quer dizer "contenda". Os israelitas estavam testando o próprio Deus. A Septuaginta traduz massá por peirasmós, "tentação", a mesma palavra usada no Novo Testamento grego. O enfoque do termo aqui é sobre a ideia de instigação ou sedução para o pecado (Mt 6.13; 26.41).

2. A experiência de Massá e Meribá.
Ninguém deve testar a Javé, o Deus de Israel, pois o nosso dever é obedecê-lo (Dt 6.16). O que aconteceu nessa contenda teve a reprovação divina, de modo que serviu como um paradigma daquilo que não se deve fazer (Sl 95.8,9). Testar Deus é questionar sua fidelidade no pacto e duvidar de sua autoridade (Sl 78.41,56). Entendemos que tentar o Criador reflete a nossa descrença nEle, e a Bíblia é contra essa prática (Is 7.12; At 15.10).

3. Como um teste.
Isso é muito comum no Antigo Testamento (1 Rs 10.1). O exemplo clássico é a passagem do sacrifício de Isaque: "E aconteceu, depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão" (Gn 22.1). A finalidade disso é revelar ou desenvolver o nosso caráter (Êx 20.20; Jo 6.6). O hebraico aqui para "tentou" é nissá, que tem o sentido de testar, experimentar, usado para pesquisas científicas hoje em Israel. A Septuaginta traduziu por peirazo, de onde vem o substantivo peirasmós, que aparece no Novo Testamento com a mesma ideia de teste: "e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são" (Ap 2.2). O Novo Testamento emprega o termo também com ideia de tentativa (At 16.7; 24.6).

SÍNTESE DO TÓPICO I
A provocação de Refidim e a experiência de Massá e Meribá, embora esta fosse uma ofensa a Deus, mostram que a tentação é um período de teste em nossa vida.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Estude bem as passagens bíblicas que narram a história da provocação de Refidim a fim de contar aos alunos com riquezas de detalhes. Essa história servirá de base para você trabalhar o conceito de "tentação”. É preciso, desde o início da aula, deixar claro que o propósito do encontro desta semana é prevenir as consequências das tentações. Nesse caso, a tentação conforme a provocação de Refidim é de caráter contencioso. Onde a contenda e a confusão são o objeto da tentação. Por certo essa é uma excelente oportunidade de você trabalhar com a classe os princípios de "moderação", "mansidão" e "domínio próprio". Uma excelente aula!

II - A TENTAÇÃO DE JESUS
A tentação de Jesus no deserto é o primeiro acontecimento registrado de sua história depois do batismo por João Batista no rio Jordão. Era de se esperar que aquele que veio "para desfazer as obras do diabo" (1 Jo 3.8) enfrentasse a reação de Satanás. O Inimigo de nossa alma decide lutar por sua causa. É que a chegada do Salvador alvoroçou todo o reino das trevas.

II- Explicar o processo da tentação de Jesus;

1. Levado ao deserto (v.1).
O deserto é um lugar onde os seres humanos percebem a grandeza de Deus e a fragilidade humana; é um lugar de profundo silêncio para meditação e oração, onde há vastidão de espaço para ouvir a voz de Deus. Foi no deserto que grandes homens de Deus foram preparados para o serviço sagrado, como Moisés (At 7.30-33) e Elias (1 Rs 19.4-10). O termo "deserto" nessa passagem não é suficiente para determinar o lugar exato em que Jesus suportou os quarenta dias de jejum e tentações. Mas há concordância entre muitos estudiosos de que se trata de uma parte despovoada da Judeia, onde João Batista iniciou o seu ministério. A tradição posterior indica o monte da Quarentena a oeste de Jerico, onde foi construída na encosta da montanha uma igreja no século VI.

2. Sobre o jejum de Jesus (v.1).
Segundo a narrativa de Mateus, Jesus jejuou "quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome". Só mais dois personagens bíblicos praticaram um jejum tão prolongado de quarenta dias, Moisés e Elias, mas isso aconteceu em situações específicas (Êx 34.28; Dt 9.9,11; 1 Rs 19.8). Isso mostra que esse tipo de jejum (quarenta dias e quarenta noites) não é doutrina da Igreja. Lucas afirma que Jesus, "naqueles dias, não comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome" (Lc 4.2). O verbo grego, nesteuou,"jejuar", significa literalmente "abster-se de alimento".

3. Como a tentação aconteceu (v.3a).
Está claro que Satanás se apresentou a Jesus de forma visível, mas os detalhes são desconhecidos. Essa tentação foi literal, e isso se evidencia pelos detalhes da própria narrativa. Rejeitamos, pois, a ideia de uma tentação subjetiva, simbólica ou visionária. Com certeza, Jesus mesmo contou essa experiência aos seus discípulos.

SÍNTESE DO TÓPICO II
Levado ao deserto pelo Espírito Santo, Jesus foi tentado pelo Diabo.

SUBSÍDIO DOUTRINÁRIO
É importante termos uma ideia bem clara acerca da depravação total, pois a doutrina nos ajuda a compreender a luta interna no processo da tentação. Por isso, leia o seguinte texto, objetivando ter tal consciência: "A atual condição espiritual da humanidade, considerada à parte da graça de Deus, é adequadamente descrita como tenebrosa e desanimadora. Com certeza, Wesley, em sua doutrina do pecado original, emprega o que só pode ser descrito como 'superlativos negativos' para demonstrar o total abismo moral e espiritual em que a humanidade decaiu. Ele comenta: '0 homem, por natureza, é repleto de todo tipo de maldade? É vazio de todo bem? É totalmente caído? Sua alma está totalmente corrompida? Ou, para fazer o teste ao contrário, 'toda imaginação dos pensamentos de seu coração [é] só má continuamente’? Admita isso, e até aqui você é um cristão. Negue isso, e você ainda é um pagão" (COLLIN5, Kenneth. Teologia de John Wesley: 0 Amor Santo e a Forma da Graça. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.97).

III - A TRÍPLICE TENTAÇÃO
Mateus e Lucas registraram as três últimas investidas de Satanás contra Jesus, e elas foram o ápice dessas tentações. Na verdade, Jesus foi tentado em todos os quarenta dias: "quarenta dias foi tentado pelo diabo" (Lc 4.2). E continuou sendo tentado durante todo o tempo de seu ministério (Lc 22.28; Hb 4.15).

III- Elencar as tentações de Jesus.

1. A primeira das três últimas tentações (v.3b).
O objetivo dessa investida diabólica era incitar Jesus a usar seus poderes em benefício próprio. A declaração pública do próprio Deus a respeito de Jesus, "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.17), indica que isso era do conhecimento de Satanás. Mas, mesmo assim, ele desafiou Jesus quanto à sua identidade: "Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães". À semelhança de Eva, esse pecado consistia em satisfazer o apetite físico com algo lhe fora proibido.

2. A segunda tentação (v.5).
Aqui, o objetivo de Satanás é induzir o Senhor Jesus a tentar o Pai e persuadi-lo a um ato de vaidade. A "Cidade Santa", para onde Jesus foi transportado, é Jerusalém (Ne 11.1; Is 52.1). Satanás incita Jesus a jogar-se do pináculo do templo abaixo usando o texto de Salmos 91.11,12. Essa passagem refere-se a alguém que confia em Deus e, por isso mesmo, ao próprio Senhor Jesus. Ter a proteção divina, conforme as promessas desse salmo, é muito diferente de tentar a Deus. A proposta de Satanás era para Jesus testar Deus, algo que as Escrituras proíbem (Êx 17.2-7).

3. A terceira tentação (v.8).
Esse último ataque consistia em induzir Jesus a se apoderar do domínio do mundo por meios ilícitos. Como disse um grande comentarista dos Evangelhos: "A concessão era pequena; a oferta, grande". Teria Satanás o controle do mundo a ponto de oferecê-lo a quem desejasse? Jesus não discutiu sobre essa reivindicação do Diabo. O Novo Testamento mostra que Satanás é "o deus deste século" (2 Co 4.4); "o príncipe das potestades do ar" (Ef 2.2); "os príncipes das trevas deste século,... as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.12) e "todo o mundo está no Maligno" (1 Jo 5.19). Mas Satanás não tem nada para ninguém; tudo não passa de mera aparência e engano.

4. Respostas de Jesus.
O ataque diabólico foi nas áreas mais sensíveis do ser humano: "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida" (1 Jo 2.16). Mesmo com toda a sua habilidade maligna, foi grande e devastadora a derrota de Satanás (v.11). Ele foi vencido pelo poder da Palavra de Deus: "está escrito, está escrito e está escrito". Jesus citou três passagens do Pentateuco (Dt 6.13,16; 8.3). Assim, o grande conquistador, o Senhor Jesus Cristo, pode simpatizar com os que são tentados, pois Ele mesmo foi tentado de maneira real. Podemos nos consolar porque temos um Protetor no céu que é capaz de se compadecer de nossas fraquezas (Hb 4.15).

SÍNTESE DO TÓPICO III
Três tentações de Jesus: transformar pedras em pães; jogar-se do pináculo do templo e ser amparado por um anjo e dominar o mundo se adorasse o Diabo.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ
[...] A presença de Cristo conosco não é apenas como a de um companheiro externo, mas é uma força real e divina, revolucionando nossa natureza e tornando-nos como Ele é. De fato, o propósito final e último de Cristo é que o crente seja reproduzido segundo a sua própria semelhança, por dentro e por fora.

Paulo expressa a mesma coisa no primeiro capítulo de Colossenses, quando diz: 'Para, perante ele, vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis’ (Cl 1.22). Esta transformação deve ser uma transformação interior. É uma transformação de nossa vida, de nossa natureza segundo a natureza dEle, segundo a semelhança dEle.

Como é maravilhosa a paciência, como é maravilhoso o poder que toma posse da alma e realiza a vontade de Deus - uma transformação absoluta segundo a maravilhosa santidade do caráter de Jesus! Nosso coração fica desconcertado quando pensamos em tal natureza, quando contemplamos tal caráter. Este é o propósito de Deus para você e para mim" (LAKE, John G. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.31-32).

CONCLUSÃO

Diante dos fatos aqui expostos, aprendemos a não subestimar a força e os ardis de Satanás e seus demônios, pois ele ousou tentar o próprio Filho de Deus. Adão foi testado e não passou no teste (Gn 3.11,12). Da mesma forma, Israel foi reprovado logo no limiar de sua história como nação (Dt 9.12). Mas Jesus foi aprovado, glória a Deus! (At 2.22).